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À minha filha, que fez bater novamente o meu coração.

Antes, eu pensava que nunca seria pai. Foi um oficio que não consegui aprender. Julgava que a ordem natural das coisas não se encarregava de unir as coisas inquebráveis.
[hoje sei que era tudo imaginação]
Quando me recordo da minha infância, não me consigo lembrar de uma voz masculina a dizer: filho. E agora que penso nisso, sei que teria sido tão importante. Talvez tivesse feito melhor o meu caminho até aqui. Ou talvez não. Os erros não se aprendem quando não existem. E eu vi tantos erros na tua ausência que poderia escrever um manuscrito por todos os anos que não apareceste.
[e se houve alturas em que gostava que tivesses tocado à porta]
Quando me perguntavam por ti, eu dizia que estavas atrasado. Que vinhas de muito longe, ainda que esse lugar fosse no cimo da rua. Estavas sempre atrasado porque havia a ideia de que estivesses mesmo a caminho. Para que os meus amigos da escola pudessem saber que te preocupavas comigo, que eu era importante. Como eu acreditava que fosse possível, …

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